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Pouco luxo e muita animação abrem desfiles em Campinas

Pouco luxo e muita animação abrem desfiles em Campinas

AdrianaGiachini
Do Correio Popular
amaral@cpopular.com.br

Uma história de luta pela igualdade social. Uma guerra em que a fome não é uma questão exclusivamente física, mas espiritual, e as armas de combate são a arte e as perspectivas de um futuro melhor. Há quase 12 anos driblando as dificuldades, a Casa de Cultura Tainã, entidade cultural e social sem fins lucrativas, começa a somar vitórias.

A primeira delas foi a aprovação do projeto Orquestra de Tambores de Aço, formada apenas por jovens carentes, através da lei Rouanet, no ano passado. A nova conquista, talvez uma das mais importantes, é a permissão oficial do uso do terreno ocupado pelo espaço cultural, na Praça dos Trabalhadores, da Vila Padre Manoel da Nóbrega, publicada no Diário Oficial do Município no início do mês.

O terreno, que compreende uma área de 8.555 metros, é utilizado pela instituição há seis anos. “Isso põe fim à nossa insegurança, porque antes de sermos transferidos para este local ficamos quase sete anos no Espaço Cobal, transformado em depósito de material escolar. Agora temos estabilidade e vamos investir, inclusive, em novos projetos como a primeira Universidade Livre do país”, comemora Antônio Carlos Santos da Silva, de 50 anos, o TC, como é mais conhecido.

O primeiro passo, após a notícia, está sendo planejar a reforma do lugar – um antigo centro esportivo -, avalia-da em R$ 150 mil e que será custeada através de recursos cedidos pela Prefeitura, aprovados no Orçamento Participativo. O projeto deve ter início em março, quando será feito processo de licitação para definir a empresa responsável pela obra.

Segundo TC, os planos são transformar o local realmente numa casa de cultura. “Queremos criar salas para oficinas e um auditório onde realizaremos espetáculos de teatro, cinema e dança”, antecipa. Fundada em 1989 como Associação de Moradores da Vila Castelo Branco, a Casa de Cultura Tainã atende mensalmente 450 crianças e adolescentes, além de outras 1.350 pessoas através de atividades específicas como oficinas e apresentações.

O espaço desenvolve projetos como o grupo Nação Tainã (formação de educadores focados na cultura popular e na memória das comunidades de origem, além de pesquisar e produzir documentação desta cultura); Fábrica de Música (aulas de música e, inclusive, confecção de instrumentos); Projeto Saci e CDI (aulas de informática, incluindo o ensino do uso a internet); ou a biblioteca Lidas e Letras.

Em comum, estão todos ligados com a democratização da cultura e, principalmente, preservação da cultura popular. “A população carente vive em desvantagem e é isso que queremos combater. Ensinamos informática, por exemplo, para que tenham mais chances no mercado de trabalho. Acho importante quando as pessoas falam no combate à fome física, mas não podemos esquecer do alimento da alma”, defende TC.

Quanto ao trabalho de resgate das manifestações populares, como a folia de reis ou rodas de samba, a Casa de Cultura Tainã é um dos grupos envolvidos com o projeto de Maracatu (típico do Recife), junto com o Urucungos, Savuru, Tambor Menino e grupo Teatro Solano Trindade, que reserva uma grande apresentação para dia 1º de março, que envolverá mais de 250 pessoas, na abertura do carnaval de rua de Campinas. O evento será às 18h, na avenida Francisco Glicério.

Por conta disso, a Casa de Cultura Tainã está fabricando cerca de 30 tambores de alfaias, com apoio da Secretaria de Cultura, esporte e Turismo. “Nossos instrumentos, muitas vezes, superam a qualidade de marcas que estão no mercado”, vangloria-se TC que, aliás, é o único construtor de tambores de aço do país, instrumento conhecido por steel pan, que chega a levar até seis meses para ficar pronto mas que tem um som único, muito semelhante aos instrumentos de cordas.

Foi dele a idéia da criação da primeira Orquestra de Tambores de Aço do Brasil, projeto aprovado pela lei Rouanet que permite dedução nos impostos pagos ao governo, avaliado em R$ 585 mil, devido a necessidade de comprar instrumentos no exterior. A Sanasa é a primeira empresa a fazer uso do benefício e vai doar cerca de 12% do total – a lei exige 20% do valor arrecado para que a Casa de Cultura Tainã faça uso da verba. Segundo TC, a idéia é trabalhar só com adolescentes da periferia oferecendo aulas de música, ritmo, harmonia, canto e execução dos instrumentos.

Nação Tainã é destaque na Glicério

Nação Tainã é destaque na Glicério

Os desfiles das escolas de samba dos gruposd Pleiteantes 1 e 2 ocorreram sem muito brilho, anteontem, em Campinas. Qualidade e compêntecia musical ficou por conta do bloco de maracatu Nação Tainã que, a partir das 20h, mostrou em 45 minutos cantos folclóricos, percussão pesada e fantasias originais.

Segundo a Polícia Militar, pelo menos 10 mil pessoas participaram do evento e nenhuma ocorrência grade foi registada.

Passista do bloco Nação Tainã, que apresentou o maracatu como tema (acima) de sua apresentação em Campinas uma das melhores em relação a qualidade musical;

Na noite do samba, apenas o Maracatu salvou

Na noite do samba, apenas o Maracatu salvou

Bruno Ribeiro
Do Correio Popular

Um número de pessoas bem baixo do esperado presenciou, na noite de sábado, a abertura oficial do Carnaval campineiro. Participaram do desfile inaugural as escolas de samba pleiteantes dos Grupos I e II. Porém, apenas os blocos que desfilaram sem caráter competitivo antes das escolas foram capazes de levantar o pequeno público disperso pela Francisco Glicério. Com originalidade, alegria e bons percussionistas, a Nação Tainã fez com que o maracatu fosse mais aplaudido do que os sambas de enredo repetitivos e monótonos que foram apresentados na avenida.

O carnaval de 2003 começou mostrando que evoluiu pouco ou quase nada de um ano para cá. O que se viu foi um espetáculo de trapalhadas por parte de todaas agremiações envolvidas. A começar pelo desfile da novata Gaviôes dos DICs. Homenageando o líder Negro Zumbi do Palmares – enredo mais batido da história-, a escola fez, dentro das limitações naturais de toda escola estreante, um desfile morno, devido aos desencontros da bateria e aos enormes “buracos” entre as alas.

Sem poder recorrer ao dinheiro público – escolas pleitantes não tem direito à verba destinada pela Prefeitura -, a Gaviôes exibiu carros alegóricos e fantasias modestas, prenunciando o que seria a tônica de todo o desfile.

A segunda escola a pisar na avenidade também foi uma estreante: a Unidos do Paranapanema, que exaltou em seu enredo um animal típico do Brasil: a Jaguatírica. No entanto, nem as mulheres seminuas sob cachoeiras artificiais conseguiram desviar a atenção do público para um problema grave que parece ser um característica de quase todas as escolas de samba de Campinas: a bateria, incapaz de segurar o ritmo por mais de 10 minutos sem atravessar o samba.

A única boa surpresa da noite ficou por conta da récem-criada Vaiquemké, que no anos passado homenageou o prefeito Toninho e ganhou a simpatia do campineiro. Mesmo sem exibir grandes carros alegóricos, foi a primeira a sacudir a parcela do público que ainda prestava atenção ao desfile. Nesse ano, as homenageadas foram as mulheres campineira.

Desnecessário, porém, foi colocar no mesmo enredo, a atriz Regina Duarte e a prefeita Izalene Tiene, que desfilou no chão.