Arquivo diários:23 de abril de 2015

PQD – Aprofundamento do Baobáxia e Visita da SCDC

IMG_8167No decorrer da tarde de hoje, as oficinas continuaram com força total. Vince, Fernão e Ike Banto da Rede Mocambos orientavam os presentes sobre comandos básicos para se executar no terminal dos softwares livres e também exploravam uma formação mais prática e tIMG_8150écnica sobre o Baobáxia, mostrando o lado de trás da plataforma, inclusive com narrativas escritas dentro dos próprios códigos, para que todos que acessem entendam o que aconteceu no momento daquela linha de código.

Em paralelo a isso, o evento recebeu a Ivana Bentes, Secretária da Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, além de parceiros da Fundação Banco     do Brasil, representantes da câmara dos vereadores de Campinas e da Secretaria de Cultura da Cidade.

IMG_7392Esses parceiros institucionais participaram de uma roda de conversa juntamente com TC Silva, da Tainã, Rasta Jorge da Casa do Boneco de Itacaré na Bahia e Marcelo das Histórias do Ponto de Cultura NINA, onde discutiram possíveis parcerias e alianças, além de analisarem a conjuntura da cultura e das políticas públicas no país.

Agora na parte da noite acontecerá o Programa de WebTv Batida de Ponto, que você pode acompanhar pelo site do coletivo Socializando Saberes (www.socializandosaberes.net.br) com a presença de todos os convidados da Pajelança Quilombólica Digital e logo mais todos irão para a Casa de Cultura Fazenda Roseira para curtir um Samba para São Jorge em homenagem ao seu dia.

PQD – Entendendo o Baobáxia

  IMG_7352  Após uma noite de comidas deliciosas, batuques e gravações no estúdio da Casa de Cultura Tainã o dia amanhece com a promessa de muita troca de conhecimento e experiências sobre tecnologias livres e compartilhamento em rede.

IMG_7360Depois de pedir a Exu para abrir os caminhos e saudar Ogum pelo seu dia, começamos a formação intensiva sobre as Mucuas (servidores livres), e a galáxia dos baobás, o Baobáxia. Vincenzo e Fernão da Rede Mocambos ministram a oficina, que será dividida em duas partes, a teórica pela parte da manhã e a prática no período da tarde.

CIMG_7325ada Mucua representa uma comunidade, um território real e os conteúdos produzidos nele, e ela pode funcionar sem internet, criando um acervo local. Mas a partir do momento que se acessa a web, as Mucuas se sincronizam e o conteúdo dos territórios vai sendo compartilhado entre os nós da rede.

Para explicar o Baobáxia, Fernão fez uma comparação comIMG_7339 a soberania alimentar, que só acontece de fato quando se conhecem as sementes plantadas, o solo, a água que molha as plantas e o processo como um todo. O mesmo se dá com os territórios digitais livres, é preciso ter soberania sobre os processos, entender o solo, aqui representado pela plataforma Baobáxia, e ter em mente as sementes que se quer plantar e os frutos que se quer colher, uma metáfora para o conteúdo que cada comunidade irá subir na rede de Mucuas.

IMG_7365A ideia da oficina é que todos os presentes possam dar ideias de como melhorar o Baobáxia e, juntos, possam desenvolver os códigos para implementar as sugestões na plataforma, sempre visando uma maior coletividade e um acesso mais fácil do usuário a todo esse conteúdo na rede.

PQD – Conversa Com Parceiros Institucionais

IMG_7485A tarde do terceiro dia de encontro da Pajelança Quilombólica Digital – Territórios Digitais Livres se iniciou com o mestre e fundador da Casa de Cultura Tainã, TC Silva, ressoando em seu tambor a celebração à Vida. Yashodhan, residente da comunidade Morada da Paz (RS), fez uma prece à Exu e Oxalá para que sob a proteção de ambos o diálogo fosse construtivo, harmonioso e frutífero.

Renato Simões (Secretaria Nacional de Articulação Social da Presidência da República), Geovani Martins Ferreira, Paulo Nishi e Francisco Alves e Silva (Xixico) (Fundação Banco do Brasil), Victor Mammana (Centro da Tecnologia da Informação Renato Archer – MCTI), Carlos Alberto Oliveira (Vereador de Campinas – SP), Edson Anício Duarte (Instituto Federal de Campinas), Ricardo Neder (Professor da Universidade de Brasília) e César Pereira (Secretaria de Assistência e Cidadania de Campinas) marcam presença e ouviram com atenção TC Silva explicar sobre a correlação das tecnologias africanas com as usuais do mundo contemporâneo. “As Áfricas produzem conhecimentos”.IMG_7811

Mestre TC abriu a roda de apresentações. “Quero agradecer a todos e a todas por acreditarem na nossa luta. É uma grande honra para a gente estar abrigando mais uma Pajelança. Este território tem 25 anos dentro da comunidade. Temos aqui a base do Movimento Negro no Brasil. Eu comecei essa luta ainda na creche, onde eu era tratado com indiferença, porque eu era sempre o culpado simplesmente por ser negro”.

Após tocar um instrumento africano centenário de cordas, TC  ergueu seu punho direito em direção ao centro do círculo que abrigou os tambores e uma muda do Baobá. “Isso é baobáfricanizando as Américas”, proclamou. TC agradeceu a Fundação Banco do Brasil pelo apoio à Pajelança e pela presença de seus representantes.

IMG_7622Uma paciente do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), que realiza atividades recreativas na Tainã, também agradeceu o acolhimento de todos. “Eu agradeço muito a vocês! É uma terapia poder participar e estar aqui. Vocês estão de parabéns!”

Um vídeo sobre a Rede Mocambos e Pajelanças Quilombólicas foi exibido para informar os presentes sobre o GESAC (GovIMG_7708erno Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão) e de como esse foi o primeiro grande passo para instalar a Baobáxia, repensando na humanização da sociedade. “É importante que as comunidades se apropriem das tecnologias para poderem sobreviver”, completou o mestre TC.

“Pela falta de tecnologia nas grandes redes periféricas, nós criamos o Baobáxia. É uma tecnologia social de economia solidária que facilita a organização e valorização de conteúdos. Temos outras tecnologias que estamos aprimorando, mas não temos infraestrutura para desenvolver em toda a rede que temos. Por limitações econômicas, não temos o apoio necessário para dar continuidade no trabalho de formação dos cidadãos com essas tecnologias. Queremos dialogar formas para que a comunidade não fique só na pesquisa, mas se pIMG_7544rolongue como um programa que vinga, não apenas um produto em curto prazo. Não queremos apenas os parabéns com portas fechadas, queremos destravar as coisas para que o fluxo positivo se expanda pelo Brasil. Não queremos um projeto limitado que não respeite as práticas e valores simbólicos da Comunidade, principalmente a do Baobá, que ensina a resgatar o seu tempo e colocar as coisas no Tempo. Queremos um território digital que tenha os mesmos valores que as comunidades têm, não esse mundo monopolizado que se apressa e atropela”. Esclareceu Vincenzo Tozzi, um dos desenvolvedores do Baobáxia.

O diálogo se estendeu dissertando sobre o patrimônio e riquezas do acervo das africanidades, assim como conteúdos pedagógicos e informativos sendo colocados em pauta.

Victor Mammana (CTI) apresentou na roda de diálogos uma proposta de convênio com o Governo Federal chamada “Wash”. O projeto formalizado em um documento foi entregue nas mãos de TC Silva.

“Vamos deslumbrar um horizonte muito importante. NIMG_7526ossa iniciativa como uma incubadora universitária pode ser acompanhada por outras inúmeras incubadoras espalhadas pelo país, resistindo bravamente contra essa desvalorização da memória. Estamos fazendo uma revolução cognitiva. Tecnologia Social não é uma coisa de pobre, é o melhor da Tecnologia Humana aplicada nas comunidades”, explicou Ricardo Neder da Universidade Federal de Brasília.