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PQD – Chegada de Mãe Beth, Batuques no Estúdio e Orquestra dos Tambores de Aço

17265181192_3be0d410db_oNa sexta-feira (24) o evento Pajelança Quilombólica Digital, que acontece na Casa de Cultura Tainã, teve o prazer de receber a presença de Mãe Beth de Oxum, liderança do Coco de Umbigada, um Ponto de Cultura e Terreiro, direto de Olinda, no Recife. Ela ficará conosco até o fim do encontro, compartilhando seus saberes e experiências com os mais jovens.     17079203148_a6bbc78329_o

Logo depois dos abraços de boas vindas em Mãe Beth, todos se reuniram em volta de um bolo de chocolate gigante para comemorar o aniversário do ogan Oxaguian, filho de Mãe Beth. Batuques e cantos trouxeram ótimas energias para o início desse novo ciclo na vida do jovem ogan.

No cair da noite, a juventude que participa das oficinas se reuniu em volta de uma fogueira para um momento de recreação após um dia intenso de trabalho. Cada qual contou um pouquinho de si e sobre os locais onde vive, seu rituais e cultura. O bate-papo foi conduzido pelos tambores e alternado por canções de Jongo, que animaram os presentes enquanto a brasa lentamente ia se transformando em cinzas.

Hoje, logo cedinho, o Batuque de Umbigada de Rio Claro (SP) chegou para fazer uma batucada com os mestres de todo o Brasil e finalizar a gravação de seu CD no estúdio da casa. O Tambu, untado com cachaça e aquecido na fogueira para esticar o couro e atingir a afinação desejada, será tocado pelas mãos calejadas por uma história de resistência e tradição. “Trabalho e não tenho nada, só tenho calo na mão. O meu patrão ficou rico e nói fiquemo na mão”.

Paralelo a isso duas outras atividades acontecem na Casa de Cultura Tainã, sendo uma delas a finalização da oficina intensiva de Baobáxia, onIMG_8792de todas as Mucuas instaladas no decorrer dos dias serão sincronizadas para que haja uma troca de conteúdo entre todos os participantes, difundindo a cultura local de cada comunidade representada no encontro. A outra atividade veio de surpresa com a chegada de quatro grafiteiros, dois argentinos, Walter e Magali,  e dois amazonenses, Isy e Roberto Pires, parceiros da Casa Preta, um dos laços da Rede Mocambos. Eles juntaram algumas tintas e presentearam o espaço da Tainã com lindas pinturas em dois dos muros.

IMG_8801Após um dia intenso de atividades, todos se reuniram no salão da Tainã para uma jamIMG_8851 session coletiva. Estavam presentes representantes do Coco de Umbigada de Mãe Beth, direto de Olinda, o Mestre Baterista Malvino do Batuque de Rio Claro e a Orquestra dos tambores de aço, oriunda da própria casa. Também foram bem-vindos à improvisação todos aqueles que quiseram repicar um tambu.

Cultura e resistência no Ipadê da Juventude 2015

A ideia de realizar um encontro de juventude surgiu no Terreiro de Chão Batido de 2012, com o objetivo de, através da apropriação tecnológica e midiática, registrar os saberes e fazeres ancestrais.  O Terreiro de Chão Batido é um encontro inter geracional que acontece no território CoMPaz, onde os mestres da cultura popular são convidados a compartilhar seus saberes com crianças, jovens e adultos, através da contação de histórias, danças, músicas, rezas e ritos. A primeira edição do Ipadê da Juventude teve como público principal os jovens quilombolas e indígenas. Na segunda edição, o público foi ampliado, contemplando a diversidade da juventude: quilombolas, indígenas, estudantes, participantes de organizações e movimentos sociais, moradores de áreas urbanas e rurais e pessoas interessadas na temática.

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Abertura do 2° Ipadê da Juventude / Projeto Abayomi – uma história contada entre tecidos e dedos

Com o mesmo objetivo do Ipadê da Juventude, surgiu o Projeto Abayomi, contemplado como Prêmio do Edital Ideias Criativas da Fundação Palmares de 2014. Neste projeto foram propostas oficinas de comunicação, tendo como instrumento principal o audiovisual para que os jovens, de forma simples e com ferramentas de fácil acesso, como celulares e câmeras compactas, associados ao uso de softwares livres de edição de vídeo, pudessem compreender o processo de registro de fazeres e saberes como um ação de resistência e valorização cultural. Apropriados desses conhecimentos, os jovens podem ser agentes da salvaguarda das memórias em suas próprias comunidades.

As oficinas propostas no Ipadê da Juventude trazem para o centro da construção do conhecimento técnicas como bioconstrução, pintura mural, música e dança. Todas as atividades foram permeadas pela oficina  de apropriação tecnológica do Projeto Abayomi, que prevê a produção, criação e difusão alternativa de conteúdos multimídia, estimulando ações de fortalecimento e circulação de conhecimentos de cultura digital e memória. Os participantes organizaram-se em grupos pra fazer o registro das atividades propostas no Ipadê da Juventude. Foram orientados por Patricia Pinheiro e Vania Pierozan a planejar as etapas de criação do vídeos, desde a coleta de imagens e áudios, pensando nas questões técnicas e políticas que envolvem a comunicação através do audiovisual. O resultado dessa oficina foi a produção de 5 vídeos, que serão conteúdos de blogs e redes sociais das instituições e dos jovens participantes. Os vídeos foram editados  em kdenlive, software livre de edição audiovisual.

oficina apropriação tecnológica

Apropriação tecnológica e registro da memória

conversa apropriação tecnologica

Mostra dos vídeos produzidos no encontro

Raquel Dvoranovski e Clara Freund, da Senda Viva, orientaram os participantes sobre bioconstrução através da criação de um forno de barro. Essa oficina foi linda e intensa. Pra construir o forno foram utilizados os seguintes materiais: tijolo refratário, tijolo de barro, areia, açúcar, palha, terra e água. Os fornos de barro são uma tecnologia ancestral, e construídos assim de forma coletiva, carregam a força da unidade dos povos. Pra amassar o barro, muita cantoria, dança, alegria e chuva de luz!

Pisar o barro juntos fortalece nossos laços de solidariedade e irmandade

Pisar o barro juntos fortalece nossos laços de solidariedade e irmandade

 

base fornoforno forno pronto

Música e dança também tiveram lugar de destaque no encontro. John Silva compartilhou seus conhecimentos poéticos e musicais através da proposta de composição musical coletiva.  De forma descontraída e bastante pedagógica, os participantes foram estimulados a expressar como gostariam que o mundo fosse no futuro. Esses desejos foram transformados em música, que já foi usada como trilha sonora nos vídeos criados na oficina de apropriação tecnológica.

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O resultado da oficina de composição musical foi uma canção de autoria coletiva sobre gratidão

Teve também  roda de Maculelê. A educadora de dança Daisy de Souza Reis contou a história do surgimento dessa dança e colocou os participantes pra se mexer ao som do tambor e dos bastões. O contato com elementos da cultura africana são um aspecto importante nas atividades propostas no Território da CoMPaz.

maculele

Na oficina de maculelê conhecimento sobre as raízes ancestrais da dança

Na oficina de Pintura Mural, coletivamente definiu-se por fazer o registro das atividades do Ipadê, representando a dança e a música através da roda de maculelê e a valorização da alimentação, através da representação do forno de barro. O resultado ficou bastante interessante e colorido, as paredes da Casa Verde agora estão marcadas pelas nossas sensações e representações artísticas do que representou o encontro para os participantes. Vania e Yasmine orientaram essa atividade.

base

pintura da base

forno

memória do evento

final

resultado coletivo

estrutura imopressoes

O foco principal das oficinas não é uso da tecnologia em si, mas a salvaguarda do patrimônio imaterial e identidade cultural dos povos através da utilização de ferramentas de registro e difusão de conteúdos que valorizem a memória ancestral, os saberes e fazeres dos mestres da cultura popular.

Veja os vídeos de registro das oficinas, produzidos pelos  participantes do Ipadê da Juventude 2015 / Projeto Abayomi .

Apropriação Tecnológica

Oficina de Bioconstrução

Oficina de Maculele

Composição Musical

Oficina de Pintura Mural

PQD – Rodas, Trocas e Toré

Após uma inspiradora oficina técnica de comandos básicos e Baobáxia, todos os presentes participaram de uma grande roda com a Secratária da Cidadania e Diversidade Cultura, Ivana Bentes, e outros parceiros institucionais da Fundação Banco do Brasil. Logo de cara, Ivana ressaltou a importância da Casa de Cultura Tainã e Rede Mocambos  “É uma alegria ver esse clima vibrante que a Casa de Cultura Tainã te  m! A Rede Mocambos foi uma inspiração para os Pontos de Cultura e articulação nacional da rede.”IMG_8485

No decorrer da conversa, foram feitas críticas, dadas sugestões e reconhecimento das ações positivas do Ministério da Cultura. TC Silva encerra a roda com grandes palavras “O Sistema tem que ser mudado, ele não funciona mais porque é engessado, cruel, não reconhece a própria riqueza cultural. Nós acreditamos na construção do diálogo, e quando a gente fala sobre Baobá, a gente fala sobre acolhimento, respeito pelas tradições. Não importa como o mundo é lá fora, aqui nós criamos um mundo do nosso jeito. Eu confio em você e espero que você confie em mim. À nós só cabe fazer isso, um mundo de laços de maneira sincera para todos!”

IMG_8544Após uma merecida noite de descanso, todos se reuniram cedo em uma roda onde Jaborandy Tupinambá abriu o quarto dia de Pajelança Quilombólica Digital com o Toré, dança ritual indígena. Os presentes fizeram um vibrante círculo em torno do IMG_8536Baobá e dos tambores e em meio a danças e boas energias, receberam e trocaram sementes criolas de várias espécies e de diversas regiões do Brasil, em um ato simbólico de germinação da amizade e fortalecimento dos laços. Um canto em tupi foi entoado pela roda “Meu papagaio seu canto é bonito e veio tão lindo do lado de lá! Pisa, pisa, quero ver pisar. Terreiro dos índios de Ororubá!”

IMG_8573Em paralelo a isso, TC Silva, Rasta Jorge, Mestre Alceu e Vince conversavam com Takashi Tome, gerente de projetos da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa e Janaína Lemos do Centro de Tecnologia e Inovação, onde discutiam futuras parcerias envolvendo instalação de fibras óticas e a construção de um data center da Rede Mocambos e dos movimentos Parceiros na Casa de Cultura Tainã, visando o fortalecimento das lutas, da memória e da comunicação entre os nós dessa rede.

PQD – Aprofundamento do Baobáxia e Visita da SCDC

IMG_8167No decorrer da tarde de hoje, as oficinas continuaram com força total. Vince, Fernão e Ike Banto da Rede Mocambos orientavam os presentes sobre comandos básicos para se executar no terminal dos softwares livres e também exploravam uma formação mais prática e tIMG_8150écnica sobre o Baobáxia, mostrando o lado de trás da plataforma, inclusive com narrativas escritas dentro dos próprios códigos, para que todos que acessem entendam o que aconteceu no momento daquela linha de código.

Em paralelo a isso, o evento recebeu a Ivana Bentes, Secretária da Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, além de parceiros da Fundação Banco     do Brasil, representantes da câmara dos vereadores de Campinas e da Secretaria de Cultura da Cidade.

IMG_7392Esses parceiros institucionais participaram de uma roda de conversa juntamente com TC Silva, da Tainã, Rasta Jorge da Casa do Boneco de Itacaré na Bahia e Marcelo das Histórias do Ponto de Cultura NINA, onde discutiram possíveis parcerias e alianças, além de analisarem a conjuntura da cultura e das políticas públicas no país.

Agora na parte da noite acontecerá o Programa de WebTv Batida de Ponto, que você pode acompanhar pelo site do coletivo Socializando Saberes (www.socializandosaberes.net.br) com a presença de todos os convidados da Pajelança Quilombólica Digital e logo mais todos irão para a Casa de Cultura Fazenda Roseira para curtir um Samba para São Jorge em homenagem ao seu dia.

PQD – Entendendo o Baobáxia

  IMG_7352  Após uma noite de comidas deliciosas, batuques e gravações no estúdio da Casa de Cultura Tainã o dia amanhece com a promessa de muita troca de conhecimento e experiências sobre tecnologias livres e compartilhamento em rede.

IMG_7360Depois de pedir a Exu para abrir os caminhos e saudar Ogum pelo seu dia, começamos a formação intensiva sobre as Mucuas (servidores livres), e a galáxia dos baobás, o Baobáxia. Vincenzo e Fernão da Rede Mocambos ministram a oficina, que será dividida em duas partes, a teórica pela parte da manhã e a prática no período da tarde.

CIMG_7325ada Mucua representa uma comunidade, um território real e os conteúdos produzidos nele, e ela pode funcionar sem internet, criando um acervo local. Mas a partir do momento que se acessa a web, as Mucuas se sincronizam e o conteúdo dos territórios vai sendo compartilhado entre os nós da rede.

Para explicar o Baobáxia, Fernão fez uma comparação comIMG_7339 a soberania alimentar, que só acontece de fato quando se conhecem as sementes plantadas, o solo, a água que molha as plantas e o processo como um todo. O mesmo se dá com os territórios digitais livres, é preciso ter soberania sobre os processos, entender o solo, aqui representado pela plataforma Baobáxia, e ter em mente as sementes que se quer plantar e os frutos que se quer colher, uma metáfora para o conteúdo que cada comunidade irá subir na rede de Mucuas.

IMG_7365A ideia da oficina é que todos os presentes possam dar ideias de como melhorar o Baobáxia e, juntos, possam desenvolver os códigos para implementar as sugestões na plataforma, sempre visando uma maior coletividade e um acesso mais fácil do usuário a todo esse conteúdo na rede.

PQD – Conversa Com Parceiros Institucionais

IMG_7485A tarde do terceiro dia de encontro da Pajelança Quilombólica Digital – Territórios Digitais Livres se iniciou com o mestre e fundador da Casa de Cultura Tainã, TC Silva, ressoando em seu tambor a celebração à Vida. Yashodhan, residente da comunidade Morada da Paz (RS), fez uma prece à Exu e Oxalá para que sob a proteção de ambos o diálogo fosse construtivo, harmonioso e frutífero.

Renato Simões (Secretaria Nacional de Articulação Social da Presidência da República), Geovani Martins Ferreira, Paulo Nishi e Francisco Alves e Silva (Xixico) (Fundação Banco do Brasil), Victor Mammana (Centro da Tecnologia da Informação Renato Archer – MCTI), Carlos Alberto Oliveira (Vereador de Campinas – SP), Edson Anício Duarte (Instituto Federal de Campinas), Ricardo Neder (Professor da Universidade de Brasília) e César Pereira (Secretaria de Assistência e Cidadania de Campinas) marcam presença e ouviram com atenção TC Silva explicar sobre a correlação das tecnologias africanas com as usuais do mundo contemporâneo. “As Áfricas produzem conhecimentos”.IMG_7811

Mestre TC abriu a roda de apresentações. “Quero agradecer a todos e a todas por acreditarem na nossa luta. É uma grande honra para a gente estar abrigando mais uma Pajelança. Este território tem 25 anos dentro da comunidade. Temos aqui a base do Movimento Negro no Brasil. Eu comecei essa luta ainda na creche, onde eu era tratado com indiferença, porque eu era sempre o culpado simplesmente por ser negro”.

Após tocar um instrumento africano centenário de cordas, TC  ergueu seu punho direito em direção ao centro do círculo que abrigou os tambores e uma muda do Baobá. “Isso é baobáfricanizando as Américas”, proclamou. TC agradeceu a Fundação Banco do Brasil pelo apoio à Pajelança e pela presença de seus representantes.

IMG_7622Uma paciente do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), que realiza atividades recreativas na Tainã, também agradeceu o acolhimento de todos. “Eu agradeço muito a vocês! É uma terapia poder participar e estar aqui. Vocês estão de parabéns!”

Um vídeo sobre a Rede Mocambos e Pajelanças Quilombólicas foi exibido para informar os presentes sobre o GESAC (GovIMG_7708erno Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão) e de como esse foi o primeiro grande passo para instalar a Baobáxia, repensando na humanização da sociedade. “É importante que as comunidades se apropriem das tecnologias para poderem sobreviver”, completou o mestre TC.

“Pela falta de tecnologia nas grandes redes periféricas, nós criamos o Baobáxia. É uma tecnologia social de economia solidária que facilita a organização e valorização de conteúdos. Temos outras tecnologias que estamos aprimorando, mas não temos infraestrutura para desenvolver em toda a rede que temos. Por limitações econômicas, não temos o apoio necessário para dar continuidade no trabalho de formação dos cidadãos com essas tecnologias. Queremos dialogar formas para que a comunidade não fique só na pesquisa, mas se pIMG_7544rolongue como um programa que vinga, não apenas um produto em curto prazo. Não queremos apenas os parabéns com portas fechadas, queremos destravar as coisas para que o fluxo positivo se expanda pelo Brasil. Não queremos um projeto limitado que não respeite as práticas e valores simbólicos da Comunidade, principalmente a do Baobá, que ensina a resgatar o seu tempo e colocar as coisas no Tempo. Queremos um território digital que tenha os mesmos valores que as comunidades têm, não esse mundo monopolizado que se apressa e atropela”. Esclareceu Vincenzo Tozzi, um dos desenvolvedores do Baobáxia.

O diálogo se estendeu dissertando sobre o patrimônio e riquezas do acervo das africanidades, assim como conteúdos pedagógicos e informativos sendo colocados em pauta.

Victor Mammana (CTI) apresentou na roda de diálogos uma proposta de convênio com o Governo Federal chamada “Wash”. O projeto formalizado em um documento foi entregue nas mãos de TC Silva.

“Vamos deslumbrar um horizonte muito importante. NIMG_7526ossa iniciativa como uma incubadora universitária pode ser acompanhada por outras inúmeras incubadoras espalhadas pelo país, resistindo bravamente contra essa desvalorização da memória. Estamos fazendo uma revolução cognitiva. Tecnologia Social não é uma coisa de pobre, é o melhor da Tecnologia Humana aplicada nas comunidades”, explicou Ricardo Neder da Universidade Federal de Brasília.

PQD – Comunicação e as Raízes do Baobá Itinerante

Hoje foi plantado o Baobá Itinerante nos solos dIMG_7403a Casa de Cultura Tainã que, com a ajuda de um trator, subiu aos ares uma última vez antes de se enraizar no solo. Presenças mais do que especiais acompanham essa e outras atividades aqui na Pajelança Quilombólica Digital! E você pode acompanhar as atividades ao vivo pelo site do parceiro Socializando Saberes, que transmite o encontro. (www.socializandosaberes.net.br)

IMG_7428Por falar em parceiros, amanhã o programa Amazônia Brasileira – 11.780KHz e 6.180KHz AM, pertencente à Rádio Nacional Amazônia do Portal EBC, entrevistará TC Silva, fundador da Tainã, e Yashodhan, moradora da comunidade Morada da Paz (RS), que contarão sobre o encontro em uma transmissão a nível nacional.

A entrevista será transmitida ao vivo, na quinta-feira (23), das 9:30h às 10h, e a pauta será as discussões, trocas e planejamentos que estão acontecendo na Pajelança, que se iniciou no dia 20 e vai até o dia 28 de abril e conta com representantes de todas as partes do Brasil.

PQD – Sobre Batuques e Ervas

A noite de ontem (21) foi mais que especial no encontro PIMG_7001ajelança Quilombólica Digital. A Casa de Cultura Tainã recebeu alguns grupos culturais da Região Metropolitana de Campinas, dentre eles o Batuque de Umbigada de Capivari e o Samba de Roda de Vinhedo, que animaram a noite após uma galinhada de lamber os beiços!

IMG_7345Depois de uma merecida noite de descanso e um delicioso café da manhã, os presentes se reuniram na Tenda dos Saberes, espaço construído com o intuito de troca de experiências e conhecimento, e aprenderam um pouco sobre o cultivo de algumas plantas com o mestre TC Silva.

Logo depois, o Baobá Viajante, que já passou por diversas localidades do país, teve o prazer de ser o centro de uma roda de batuques e cantos para saudá-lo em seu novo lar, o território da Tainã.

As atividades seguem na Pajelança.

PQD – SESC

Após o almoço, dois ônibus levaram  os diversos representantes de movimentos culturais e sociais para o plantio de um Baobá em um terreno situadIMG_6847o ao lado do viaduto Lix da Cunha, perto da rodoviária de Campinas. Símbolo milenar da resistência Africana, o Baobá foi plantado com a celebração dos tambores e com uma chuva que selou o rito de passagem. A árvore passou das IMG_0582mãos da Mãe do Mestre TC Silva, Dona Geralda, ao colo da Mãe Terra. “O Maestro Carlos Gomes morou nessa rua e minha mãe trabalhou na casa dele. Estamos aqui para resgatar a memória de Campinas e do povo negro que tanto trabalhou nessas rodovias e na Estação”, ressaltou TC Silva. Uníssono, os presentes dançaram na chuva e consagraram o pé de Baobá: “Estou voltando pra casa com um pé de Baobá, estou voltando pra casa com um Baobá”.

Cássio, funcionário do Sesc de Campinas, também participou da atividade e enfatizou a importância de ressignificar os espaços ociosos e valorizar os territórios. “Estamos simbolicamente nesse espaço no sentido de ocupar e resgatar a cultura de resistência”.

VoltIMG_0677ando ao SESC, logo na entrada, o grupo Urucungos, Puítas e Quijengues (Campinas) e o Samba de Roda de Dona Aurora (Vinhedo) recepcionaram as pessoas depois do plantio. “Se você quiser pode ir, eu não vou sair daqui!” foi o samba que entoou o emocionante encontro entre os grupos.

O Batuque de Umbigada de Capivari chegou à noitinha no SESC e se apresentou no saguão principal, representando a cultura caipira que move matutos e sabidos. “O terreiro da cidade ainda chora a escravidão”, proferiu Dona Anicide Toledo em um dos seus sambas.

Retornando à Casa de Cultura Tainã, uma galinhada foi servida para a confraternização entre as diversas ramificações de Matriz Africana.

PQD – Abertura

A abertura da Pajelança Quilombólica Digital – Territórios Digitais Livres aconteceu no dia 20 de abril à noite, com uma roda de apresentações e saudações ao Baobá e aos Ancestrais. Conduzido pelo Mestre TC Silva da Casa de Cultura Tainã, o diálogo encantou os presentes quando o mesmo explicou sobre a importância de defe   nder os territórios físicos e digitais, e de como descobriu sua Africanidade na tenra infância lidando com os afazeres rurais e contato direto coIMG_6586m a natureza.
“Sentei com meu vô na frente do casebre que ele tinha, e foi ali, entre o canto dos pássaros e barulho dos bichos noturnos, naquela hora mágica em que o sol se põe, que percebi que eu e ele éramos um só, mesmo com quase um século separando nossas idades”, relatou TC Silva.

Representantes de vários Movimentos Sociais e Culturais de diversas partes do Brasil marcaram presença. O diálogo se iniciou com uma prece da YashIMG_6666odhan do Rio Grande do Sul, e logo após os tambores soaram para que a noite se estendesse em harmonia e consciência sob a égide de Exu. A abertura foi transmitida ao vivo pelo Coletivo Socializando Saberes.

No dia 21, o café foi servido cedo e houve uma interação com mais alguns representantes de movimentos que chegaram pela manhã para o encontro, assim como diversos repreIMG_6730sentantes da sociedade civil. Ao som dos tambores, os diálogos começaram e propostas de oficinas foram expostas para se integrarem à programação do encontro ao longo da semana. Apropriação das tecnologias digitais, softwares livres, construção da Mucua (servidor do Baobáxia), Cinema Independente, Tambores de Aço e inúmeras atividades que compõe o dia a dia de uma rede mais humanizada e plural.

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