Na noite do samba, apenas o Maracatu salvou

Na noite do samba, apenas o Maracatu salvou

Bruno Ribeiro
Do Correio Popular

Um número de pessoas bem baixo do esperado presenciou, na noite de sábado, a abertura oficial do Carnaval campineiro. Participaram do desfile inaugural as escolas de samba pleiteantes dos Grupos I e II. Porém, apenas os blocos que desfilaram sem caráter competitivo antes das escolas foram capazes de levantar o pequeno público disperso pela Francisco Glicério. Com originalidade, alegria e bons percussionistas, a Nação Tainã fez com que o maracatu fosse mais aplaudido do que os sambas de enredo repetitivos e monótonos que foram apresentados na avenida.

O carnaval de 2003 começou mostrando que evoluiu pouco ou quase nada de um ano para cá. O que se viu foi um espetáculo de trapalhadas por parte de todaas agremiações envolvidas. A começar pelo desfile da novata Gaviôes dos DICs. Homenageando o líder Negro Zumbi do Palmares – enredo mais batido da história-, a escola fez, dentro das limitações naturais de toda escola estreante, um desfile morno, devido aos desencontros da bateria e aos enormes “buracos” entre as alas.

Sem poder recorrer ao dinheiro público – escolas pleitantes não tem direito à verba destinada pela Prefeitura -, a Gaviôes exibiu carros alegóricos e fantasias modestas, prenunciando o que seria a tônica de todo o desfile.

A segunda escola a pisar na avenidade também foi uma estreante: a Unidos do Paranapanema, que exaltou em seu enredo um animal típico do Brasil: a Jaguatírica. No entanto, nem as mulheres seminuas sob cachoeiras artificiais conseguiram desviar a atenção do público para um problema grave que parece ser um característica de quase todas as escolas de samba de Campinas: a bateria, incapaz de segurar o ritmo por mais de 10 minutos sem atravessar o samba.

A única boa surpresa da noite ficou por conta da récem-criada Vaiquemké, que no anos passado homenageou o prefeito Toninho e ganhou a simpatia do campineiro. Mesmo sem exibir grandes carros alegóricos, foi a primeira a sacudir a parcela do público que ainda prestava atenção ao desfile. Nesse ano, as homenageadas foram as mulheres campineira.

Desnecessário, porém, foi colocar no mesmo enredo, a atriz Regina Duarte e a prefeita Izalene Tiene, que desfilou no chão.

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