Tainã 26 anos – I Acampamento Quilombolinha

Aqui no quilombo urbano, as crianças estão aprendendo brincando e compartilhando no I Acampamento Quilombolinha, em ocasião da festa dos 26 anos da Casa de Cultura Tainã

Crianças aos pes do Baobás (video da Layla)

Crianças aos pes do Baobás (video do Vince)

Curso Kilombagem – Fanon; Vida e Obra

No dia 20 de julho Frantz Fanon completaria 90 anos.

Em referência à sua trajetória, mas também, interessados/as em discutir a atualidade da sua obra para o entendimento do racismo na sociedade contemporânea, o Grupo Kilombagem oferecerá o Mini-curso Fanon: vida e obra.

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Objetivo

O Mini Curso se propõe a apresentar e discutir o legado político e teórico do autor enfatizando suas contribuições para a compreensão das relações raciais na sociedade contemporânea.

 

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Por que estudar Fanon?

Como psiquiatra, filósofo, cientista social e revolucionário, Frantz Fanon é sem dúvida um dos pensadores mais instigantes do século XX. Sua obra influenciou diversos movimentos políticos e teóricos na África e Diáspora Africana e segue reverberando em nossos dias como referência obrigatória nos os estudos culturais e pós-coloniais.

Sua trajetória política e teórica impressiona pela grandiosidade e o seu curto espaço de vida. Nasce em Forte de France, Martinica em 1925 no seio de uma família de classe média e patriota. Em 1944 se alista no exercito francês para lutar contra os alemães na segunda guerra mundial e posteriormente segue para Lyon para estudar medicina e psiquiatria. Neste período foi estudante ativo envolvido com a publicação periódica de um jornal mimeografado.

Em 1950 Frantz Fanon escreve o texto que seria a sua tese de douturado em psiquiatria: Peau noire, masques blancs(Peles Negras, Máscaras Brancas), mas a tese, por confrontar as correntes hegemônicas, foi recusada pela comissão julgadora o obrigando a escrever outra tese no ano seguinte em Lyon com o título de Troubles mentaux et syndromes psychiatriques dans l’hérédp-dégénération-spino-cérébelleuse – Um cas de maladie de Friereich avec délire de possession (Problemas mentais e sindromes psiquiatricas em degeneração espinocerebelar hereditária – Um caso de doença de Friereich com delírio de posse).

Em 1952 participa de diversos debates universitários e seminários em que se confronta ou converge com os pensadores franceses da época. Neste mesmo ano publica uma série de ensaios sobre a situação do negro na França, escreve um drama sobre os trabalhadores de Lyon (Les Mains parallèles) e publica o texto da sua primeira tese rejeitada: Peau noir, masques blancs (Peles negras, máscaras brancas) livro que marcaria a história dos estudos o racismo.

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Artista: Cena 7


Neste livro o autor discute os impactos do racismo e do colonialismo na psique (de colonizadores e colonizados) e mostra o quanto as alienações coloniais são incorporadas pelos colonizados, mesmo no contexto de elaboração do protesto negro.

O ano seguinte é marcado por um casamento e a sua mudança para a Argélia a fim de estudar mais profundamente os problemas enfrentados pelos imigrantes africanos na França. Segundo Oto (2003) estes momento foi fundamental para Fanon compreender os impactos do colonialismo na estrutura psíquica humana:

Ao tentar ampliar suas percepções sobre o problema dos pacientes em territórios coloniais, vinculando as enfermidade ao colonialismo, Fanon aceita neste mesmo ano o contrato com o Hospital Blida-Joinville na Argélia. Durante sua residência neste local os resultados de suas investigações o convenceram das dimensões assumiam o regime colonial e como este regime desarticula a estrutura psíquica das pessoas.( Oto 2003:219)

O ano seguinte foi marcante para o autor ao assistir o nascimento da revolução argelina e a violenta repressão francesa. É neste contexto que Fanon renuncia ao seu cargo no Hospital psiquiátrico para se filiar à Frente de libertação Nacional – FLN (Front de Liberation Nationale) onde contribuirá ativamente como escritor do jornal El Moudjahid, em Túnez.

Os anos seguintes foram marcados por intensa agitação política e participação nos fóruns internacionais dos movimentos de libertação no continente africano. Em 1959 publica L’an V de la Révolution Algérienne, sem publicação em português, e em 1961 se encontra com J. P. Sartre e S. Beauvoir. Neste mesmo ano, após escrever Les dammés de la terre, o ápice de sua atividade política e intelectual seria interrompido por um problema de saúde que levaria a morte.

Boa parte dos textos escritos por Fanon no jornal El Moudjahid foram reunidos por sua esposa e publicados postumamente no livro Pour la révolution africanie (1964), publicado em Portugal apenas em 1980 com o título Em defesa da revolução Africana.

A pesar de sua importância para a compreensão das relações raciais contemporâneas, 50 anos depois de sua morte, a Obra de Frantz Fanon ainda é pouco estudada no Brasil. Espera-se com esta atividade despertar o interesse da comunidade acadêmica como um todo para a discussão dos elementos apresentados pelo autor.

Programação

Encontro 01 – A alienação colonial (20/07/2015 – 14hs)

  • itinerário político de Frantz Fanon
  • Pele negra, máscaras brancas

(Leitura recomendadaPrefácio de Lewis Gordon – Baixe o arquivo! e  Capitulo V: Experiência vivida do negro – Baixe o arquivo! )

(Obra Completa para baixarPeles Negras Mascaras Brancas – Baixe a obra!)

 

Encontro 02– Racismo e cultura (20/07/2015 – 17:hs)

  • Em defesa da revolução africana
  • Os escritos de El Moudjahid

(Leitura recomendada: Racismo e Cultura – Baixe o arquivo!)

 

Encontro 03– A Argélia se desvela (14hs)

  • Ano V da Revolução Argelina

(Leitura recomendada: Capitulo 1 : A Argélia se quito el velo – Baixe o arquivo!  – em espanhol)

( Obra Completa em espanhol: Sociología de una Revolución – Baixe a obra!)

 

Encontro 04– A libertação nacional (17hs)

  • Os condenados da terra

(Leitura recomendada:  Cap. I Da violência – Baixe o arquivo!)

(Obra Completa: Os Condenados da Terra – Baixe a obra! )

 

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PQD – Chegada de Mãe Beth, Batuques no Estúdio e Orquestra dos Tambores de Aço

17265181192_3be0d410db_oNa sexta-feira (24) o evento Pajelança Quilombólica Digital, que acontece na Casa de Cultura Tainã, teve o prazer de receber a presença de Mãe Beth de Oxum, liderança do Coco de Umbigada, um Ponto de Cultura e Terreiro, direto de Olinda, no Recife. Ela ficará conosco até o fim do encontro, compartilhando seus saberes e experiências com os mais jovens.     17079203148_a6bbc78329_o

Logo depois dos abraços de boas vindas em Mãe Beth, todos se reuniram em volta de um bolo de chocolate gigante para comemorar o aniversário do ogan Oxaguian, filho de Mãe Beth. Batuques e cantos trouxeram ótimas energias para o início desse novo ciclo na vida do jovem ogan.

No cair da noite, a juventude que participa das oficinas se reuniu em volta de uma fogueira para um momento de recreação após um dia intenso de trabalho. Cada qual contou um pouquinho de si e sobre os locais onde vive, seu rituais e cultura. O bate-papo foi conduzido pelos tambores e alternado por canções de Jongo, que animaram os presentes enquanto a brasa lentamente ia se transformando em cinzas.

Hoje, logo cedinho, o Batuque de Umbigada de Rio Claro (SP) chegou para fazer uma batucada com os mestres de todo o Brasil e finalizar a gravação de seu CD no estúdio da casa. O Tambu, untado com cachaça e aquecido na fogueira para esticar o couro e atingir a afinação desejada, será tocado pelas mãos calejadas por uma história de resistência e tradição. “Trabalho e não tenho nada, só tenho calo na mão. O meu patrão ficou rico e nói fiquemo na mão”.

Paralelo a isso duas outras atividades acontecem na Casa de Cultura Tainã, sendo uma delas a finalização da oficina intensiva de Baobáxia, onIMG_8792de todas as Mucuas instaladas no decorrer dos dias serão sincronizadas para que haja uma troca de conteúdo entre todos os participantes, difundindo a cultura local de cada comunidade representada no encontro. A outra atividade veio de surpresa com a chegada de quatro grafiteiros, dois argentinos, Walter e Magali,  e dois amazonenses, Isy e Roberto Pires, parceiros da Casa Preta, um dos laços da Rede Mocambos. Eles juntaram algumas tintas e presentearam o espaço da Tainã com lindas pinturas em dois dos muros.

IMG_8801Após um dia intenso de atividades, todos se reuniram no salão da Tainã para uma jamIMG_8851 session coletiva. Estavam presentes representantes do Coco de Umbigada de Mãe Beth, direto de Olinda, o Mestre Baterista Malvino do Batuque de Rio Claro e a Orquestra dos tambores de aço, oriunda da própria casa. Também foram bem-vindos à improvisação todos aqueles que quiseram repicar um tambu.

Cultura e resistência no Ipadê da Juventude 2015

A ideia de realizar um encontro de juventude surgiu no Terreiro de Chão Batido de 2012, com o objetivo de, através da apropriação tecnológica e midiática, registrar os saberes e fazeres ancestrais.  O Terreiro de Chão Batido é um encontro inter geracional que acontece no território CoMPaz, onde os mestres da cultura popular são convidados a compartilhar seus saberes com crianças, jovens e adultos, através da contação de histórias, danças, músicas, rezas e ritos. A primeira edição do Ipadê da Juventude teve como público principal os jovens quilombolas e indígenas. Na segunda edição, o público foi ampliado, contemplando a diversidade da juventude: quilombolas, indígenas, estudantes, participantes de organizações e movimentos sociais, moradores de áreas urbanas e rurais e pessoas interessadas na temática.

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Abertura do 2° Ipadê da Juventude / Projeto Abayomi – uma história contada entre tecidos e dedos

Com o mesmo objetivo do Ipadê da Juventude, surgiu o Projeto Abayomi, contemplado como Prêmio do Edital Ideias Criativas da Fundação Palmares de 2014. Neste projeto foram propostas oficinas de comunicação, tendo como instrumento principal o audiovisual para que os jovens, de forma simples e com ferramentas de fácil acesso, como celulares e câmeras compactas, associados ao uso de softwares livres de edição de vídeo, pudessem compreender o processo de registro de fazeres e saberes como um ação de resistência e valorização cultural. Apropriados desses conhecimentos, os jovens podem ser agentes da salvaguarda das memórias em suas próprias comunidades.

As oficinas propostas no Ipadê da Juventude trazem para o centro da construção do conhecimento técnicas como bioconstrução, pintura mural, música e dança. Todas as atividades foram permeadas pela oficina  de apropriação tecnológica do Projeto Abayomi, que prevê a produção, criação e difusão alternativa de conteúdos multimídia, estimulando ações de fortalecimento e circulação de conhecimentos de cultura digital e memória. Os participantes organizaram-se em grupos pra fazer o registro das atividades propostas no Ipadê da Juventude. Foram orientados por Patricia Pinheiro e Vania Pierozan a planejar as etapas de criação do vídeos, desde a coleta de imagens e áudios, pensando nas questões técnicas e políticas que envolvem a comunicação através do audiovisual. O resultado dessa oficina foi a produção de 5 vídeos, que serão conteúdos de blogs e redes sociais das instituições e dos jovens participantes. Os vídeos foram editados  em kdenlive, software livre de edição audiovisual.

oficina apropriação tecnológica

Apropriação tecnológica e registro da memória

conversa apropriação tecnologica

Mostra dos vídeos produzidos no encontro

Raquel Dvoranovski e Clara Freund, da Senda Viva, orientaram os participantes sobre bioconstrução através da criação de um forno de barro. Essa oficina foi linda e intensa. Pra construir o forno foram utilizados os seguintes materiais: tijolo refratário, tijolo de barro, areia, açúcar, palha, terra e água. Os fornos de barro são uma tecnologia ancestral, e construídos assim de forma coletiva, carregam a força da unidade dos povos. Pra amassar o barro, muita cantoria, dança, alegria e chuva de luz!

Pisar o barro juntos fortalece nossos laços de solidariedade e irmandade

Pisar o barro juntos fortalece nossos laços de solidariedade e irmandade

 

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Música e dança também tiveram lugar de destaque no encontro. John Silva compartilhou seus conhecimentos poéticos e musicais através da proposta de composição musical coletiva.  De forma descontraída e bastante pedagógica, os participantes foram estimulados a expressar como gostariam que o mundo fosse no futuro. Esses desejos foram transformados em música, que já foi usada como trilha sonora nos vídeos criados na oficina de apropriação tecnológica.

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O resultado da oficina de composição musical foi uma canção de autoria coletiva sobre gratidão

Teve também  roda de Maculelê. A educadora de dança Daisy de Souza Reis contou a história do surgimento dessa dança e colocou os participantes pra se mexer ao som do tambor e dos bastões. O contato com elementos da cultura africana são um aspecto importante nas atividades propostas no Território da CoMPaz.

maculele

Na oficina de maculelê conhecimento sobre as raízes ancestrais da dança

Na oficina de Pintura Mural, coletivamente definiu-se por fazer o registro das atividades do Ipadê, representando a dança e a música através da roda de maculelê e a valorização da alimentação, através da representação do forno de barro. O resultado ficou bastante interessante e colorido, as paredes da Casa Verde agora estão marcadas pelas nossas sensações e representações artísticas do que representou o encontro para os participantes. Vania e Yasmine orientaram essa atividade.

base

pintura da base

forno

memória do evento

final

resultado coletivo

estrutura imopressoes

O foco principal das oficinas não é uso da tecnologia em si, mas a salvaguarda do patrimônio imaterial e identidade cultural dos povos através da utilização de ferramentas de registro e difusão de conteúdos que valorizem a memória ancestral, os saberes e fazeres dos mestres da cultura popular.

Veja os vídeos de registro das oficinas, produzidos pelos  participantes do Ipadê da Juventude 2015 / Projeto Abayomi .

Apropriação Tecnológica

Oficina de Bioconstrução

Oficina de Maculele

Composição Musical

Oficina de Pintura Mural

PQD – Rodas, Trocas e Toré

Após uma inspiradora oficina técnica de comandos básicos e Baobáxia, todos os presentes participaram de uma grande roda com a Secratária da Cidadania e Diversidade Cultura, Ivana Bentes, e outros parceiros institucionais da Fundação Banco do Brasil. Logo de cara, Ivana ressaltou a importância da Casa de Cultura Tainã e Rede Mocambos  “É uma alegria ver esse clima vibrante que a Casa de Cultura Tainã te  m! A Rede Mocambos foi uma inspiração para os Pontos de Cultura e articulação nacional da rede.”IMG_8485

No decorrer da conversa, foram feitas críticas, dadas sugestões e reconhecimento das ações positivas do Ministério da Cultura. TC Silva encerra a roda com grandes palavras “O Sistema tem que ser mudado, ele não funciona mais porque é engessado, cruel, não reconhece a própria riqueza cultural. Nós acreditamos na construção do diálogo, e quando a gente fala sobre Baobá, a gente fala sobre acolhimento, respeito pelas tradições. Não importa como o mundo é lá fora, aqui nós criamos um mundo do nosso jeito. Eu confio em você e espero que você confie em mim. À nós só cabe fazer isso, um mundo de laços de maneira sincera para todos!”

IMG_8544Após uma merecida noite de descanso, todos se reuniram cedo em uma roda onde Jaborandy Tupinambá abriu o quarto dia de Pajelança Quilombólica Digital com o Toré, dança ritual indígena. Os presentes fizeram um vibrante círculo em torno do IMG_8536Baobá e dos tambores e em meio a danças e boas energias, receberam e trocaram sementes criolas de várias espécies e de diversas regiões do Brasil, em um ato simbólico de germinação da amizade e fortalecimento dos laços. Um canto em tupi foi entoado pela roda “Meu papagaio seu canto é bonito e veio tão lindo do lado de lá! Pisa, pisa, quero ver pisar. Terreiro dos índios de Ororubá!”

IMG_8573Em paralelo a isso, TC Silva, Rasta Jorge, Mestre Alceu e Vince conversavam com Takashi Tome, gerente de projetos da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa e Janaína Lemos do Centro de Tecnologia e Inovação, onde discutiam futuras parcerias envolvendo instalação de fibras óticas e a construção de um data center da Rede Mocambos e dos movimentos Parceiros na Casa de Cultura Tainã, visando o fortalecimento das lutas, da memória e da comunicação entre os nós dessa rede.

PQD – Aprofundamento do Baobáxia e Visita da SCDC

IMG_8167No decorrer da tarde de hoje, as oficinas continuaram com força total. Vince, Fernão e Ike Banto da Rede Mocambos orientavam os presentes sobre comandos básicos para se executar no terminal dos softwares livres e também exploravam uma formação mais prática e tIMG_8150écnica sobre o Baobáxia, mostrando o lado de trás da plataforma, inclusive com narrativas escritas dentro dos próprios códigos, para que todos que acessem entendam o que aconteceu no momento daquela linha de código.

Em paralelo a isso, o evento recebeu a Ivana Bentes, Secretária da Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, além de parceiros da Fundação Banco     do Brasil, representantes da câmara dos vereadores de Campinas e da Secretaria de Cultura da Cidade.

IMG_7392Esses parceiros institucionais participaram de uma roda de conversa juntamente com TC Silva, da Tainã, Rasta Jorge da Casa do Boneco de Itacaré na Bahia e Marcelo das Histórias do Ponto de Cultura NINA, onde discutiram possíveis parcerias e alianças, além de analisarem a conjuntura da cultura e das políticas públicas no país.

Agora na parte da noite acontecerá o Programa de WebTv Batida de Ponto, que você pode acompanhar pelo site do coletivo Socializando Saberes (www.socializandosaberes.net.br) com a presença de todos os convidados da Pajelança Quilombólica Digital e logo mais todos irão para a Casa de Cultura Fazenda Roseira para curtir um Samba para São Jorge em homenagem ao seu dia.

PQD – Entendendo o Baobáxia

  IMG_7352  Após uma noite de comidas deliciosas, batuques e gravações no estúdio da Casa de Cultura Tainã o dia amanhece com a promessa de muita troca de conhecimento e experiências sobre tecnologias livres e compartilhamento em rede.

IMG_7360Depois de pedir a Exu para abrir os caminhos e saudar Ogum pelo seu dia, começamos a formação intensiva sobre as Mucuas (servidores livres), e a galáxia dos baobás, o Baobáxia. Vincenzo e Fernão da Rede Mocambos ministram a oficina, que será dividida em duas partes, a teórica pela parte da manhã e a prática no período da tarde.

CIMG_7325ada Mucua representa uma comunidade, um território real e os conteúdos produzidos nele, e ela pode funcionar sem internet, criando um acervo local. Mas a partir do momento que se acessa a web, as Mucuas se sincronizam e o conteúdo dos territórios vai sendo compartilhado entre os nós da rede.

Para explicar o Baobáxia, Fernão fez uma comparação comIMG_7339 a soberania alimentar, que só acontece de fato quando se conhecem as sementes plantadas, o solo, a água que molha as plantas e o processo como um todo. O mesmo se dá com os territórios digitais livres, é preciso ter soberania sobre os processos, entender o solo, aqui representado pela plataforma Baobáxia, e ter em mente as sementes que se quer plantar e os frutos que se quer colher, uma metáfora para o conteúdo que cada comunidade irá subir na rede de Mucuas.

IMG_7365A ideia da oficina é que todos os presentes possam dar ideias de como melhorar o Baobáxia e, juntos, possam desenvolver os códigos para implementar as sugestões na plataforma, sempre visando uma maior coletividade e um acesso mais fácil do usuário a todo esse conteúdo na rede.

PQD – Conversa Com Parceiros Institucionais

IMG_7485A tarde do terceiro dia de encontro da Pajelança Quilombólica Digital – Territórios Digitais Livres se iniciou com o mestre e fundador da Casa de Cultura Tainã, TC Silva, ressoando em seu tambor a celebração à Vida. Yashodhan, residente da comunidade Morada da Paz (RS), fez uma prece à Exu e Oxalá para que sob a proteção de ambos o diálogo fosse construtivo, harmonioso e frutífero.

Renato Simões (Secretaria Nacional de Articulação Social da Presidência da República), Geovani Martins Ferreira, Paulo Nishi e Francisco Alves e Silva (Xixico) (Fundação Banco do Brasil), Victor Mammana (Centro da Tecnologia da Informação Renato Archer – MCTI), Carlos Alberto Oliveira (Vereador de Campinas – SP), Edson Anício Duarte (Instituto Federal de Campinas), Ricardo Neder (Professor da Universidade de Brasília) e César Pereira (Secretaria de Assistência e Cidadania de Campinas) marcam presença e ouviram com atenção TC Silva explicar sobre a correlação das tecnologias africanas com as usuais do mundo contemporâneo. “As Áfricas produzem conhecimentos”.IMG_7811

Mestre TC abriu a roda de apresentações. “Quero agradecer a todos e a todas por acreditarem na nossa luta. É uma grande honra para a gente estar abrigando mais uma Pajelança. Este território tem 25 anos dentro da comunidade. Temos aqui a base do Movimento Negro no Brasil. Eu comecei essa luta ainda na creche, onde eu era tratado com indiferença, porque eu era sempre o culpado simplesmente por ser negro”.

Após tocar um instrumento africano centenário de cordas, TC  ergueu seu punho direito em direção ao centro do círculo que abrigou os tambores e uma muda do Baobá. “Isso é baobáfricanizando as Américas”, proclamou. TC agradeceu a Fundação Banco do Brasil pelo apoio à Pajelança e pela presença de seus representantes.

IMG_7622Uma paciente do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), que realiza atividades recreativas na Tainã, também agradeceu o acolhimento de todos. “Eu agradeço muito a vocês! É uma terapia poder participar e estar aqui. Vocês estão de parabéns!”

Um vídeo sobre a Rede Mocambos e Pajelanças Quilombólicas foi exibido para informar os presentes sobre o GESAC (GovIMG_7708erno Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão) e de como esse foi o primeiro grande passo para instalar a Baobáxia, repensando na humanização da sociedade. “É importante que as comunidades se apropriem das tecnologias para poderem sobreviver”, completou o mestre TC.

“Pela falta de tecnologia nas grandes redes periféricas, nós criamos o Baobáxia. É uma tecnologia social de economia solidária que facilita a organização e valorização de conteúdos. Temos outras tecnologias que estamos aprimorando, mas não temos infraestrutura para desenvolver em toda a rede que temos. Por limitações econômicas, não temos o apoio necessário para dar continuidade no trabalho de formação dos cidadãos com essas tecnologias. Queremos dialogar formas para que a comunidade não fique só na pesquisa, mas se pIMG_7544rolongue como um programa que vinga, não apenas um produto em curto prazo. Não queremos apenas os parabéns com portas fechadas, queremos destravar as coisas para que o fluxo positivo se expanda pelo Brasil. Não queremos um projeto limitado que não respeite as práticas e valores simbólicos da Comunidade, principalmente a do Baobá, que ensina a resgatar o seu tempo e colocar as coisas no Tempo. Queremos um território digital que tenha os mesmos valores que as comunidades têm, não esse mundo monopolizado que se apressa e atropela”. Esclareceu Vincenzo Tozzi, um dos desenvolvedores do Baobáxia.

O diálogo se estendeu dissertando sobre o patrimônio e riquezas do acervo das africanidades, assim como conteúdos pedagógicos e informativos sendo colocados em pauta.

Victor Mammana (CTI) apresentou na roda de diálogos uma proposta de convênio com o Governo Federal chamada “Wash”. O projeto formalizado em um documento foi entregue nas mãos de TC Silva.

“Vamos deslumbrar um horizonte muito importante. NIMG_7526ossa iniciativa como uma incubadora universitária pode ser acompanhada por outras inúmeras incubadoras espalhadas pelo país, resistindo bravamente contra essa desvalorização da memória. Estamos fazendo uma revolução cognitiva. Tecnologia Social não é uma coisa de pobre, é o melhor da Tecnologia Humana aplicada nas comunidades”, explicou Ricardo Neder da Universidade Federal de Brasília.

PQD – Comunicação e as Raízes do Baobá Itinerante

Hoje foi plantado o Baobá Itinerante nos solos dIMG_7403a Casa de Cultura Tainã que, com a ajuda de um trator, subiu aos ares uma última vez antes de se enraizar no solo. Presenças mais do que especiais acompanham essa e outras atividades aqui na Pajelança Quilombólica Digital! E você pode acompanhar as atividades ao vivo pelo site do parceiro Socializando Saberes, que transmite o encontro. (www.socializandosaberes.net.br)

IMG_7428Por falar em parceiros, amanhã o programa Amazônia Brasileira – 11.780KHz e 6.180KHz AM, pertencente à Rádio Nacional Amazônia do Portal EBC, entrevistará TC Silva, fundador da Tainã, e Yashodhan, moradora da comunidade Morada da Paz (RS), que contarão sobre o encontro em uma transmissão a nível nacional.

A entrevista será transmitida ao vivo, na quinta-feira (23), das 9:30h às 10h, e a pauta será as discussões, trocas e planejamentos que estão acontecendo na Pajelança, que se iniciou no dia 20 e vai até o dia 28 de abril e conta com representantes de todas as partes do Brasil.